Poder de Síntese #25
A edição de março pergunta: como está o seu planejamento de carreira?
Enfim completamos o 1º trimestre. Em um estalar de dedos, 1/4 do ano já se foi. E quando se trata de sua carreira, quanto você já caminhou? Quanto falta? Para onde quer ir? Pelo o que quer ser lembrado? Seus planos são de pertencer para sempre o universo jurídico ou… Quer ir além?
Essas provocações surgiram quando debatia sobre carreira com uns amigos no jantar de 20 anos da Análise Editorial, mais especificamente sobre a carreira no Jurídico corporativo. Essa profissão que tanto amamos possui um alto viés político no topo da pirâmide. Tem dúvidas?
Existe somente 1 posição no topo da cadeia das grandes organizações. A nomenclatura varia conforme a estrutura e o porte da empresa: Chief Legal Counsel, Diretor Jurídico, Head ou Gerente Jurídico.
Essa é uma posição de confiança. Se mudou o principal executivo de negócios (CEO ou o Presidente), a probabilidade dos principais executivos do Jurídico e de Finanças mudarem é altíssima.
Reforço: isso se dá por ser um cargo de confiança ou pelo fato do principal executivo de negócios já ter o seu “dream team”.
As premissas acima não são verdades absolutas, mas pode reparar: acontece de vez em sempre. O nível de rotatividade de CEOs é alto e o tempo médio de duração diminuiu. E com o nº 1 do Jurídico não seria diferente, basta ver a quantidade de nomes novos que aparecem na Análise Editorial em suas publicações com o Raio-x do setor. Foi pensando nisso, que a Poder de Síntese e a Tools law prepararam:
Quando paro e tento responder as perguntas que fiz ao iniciar essa newsletter, confesso que não tenho todas as respostas. Amo o mundo jurídico-corporativo e hoje, vejo que existem várias formas de ajudar nesta transformação que não seja só atuando como in-house. Por isso, acompanho com muita torcida os movimentos dos amigos que resolveram empreender e desbravar outros universos.
Para quem pensa em carreira, vejo que devemos encaixar outros elementos nesse plano, como por exemplo a tecnologia e a mudança acelerada de novas formas de gestão e práticas operacionais. Ainda, observo que os próximos anos não serão sobre como aprender a lidar com o ‘novo’ e sim como ‘conviver’ com as novas tecnologias, as novas formas de gestão e as práticas operacionais colidindo entre si.
Quem olhar para isso como um “tema de inovação” qualquer… Pode ser que não seja tão bem-sucedido. Agora, quem entender que isso é mudança estrutural e recorrente, vai começar a repensar tudo, vendo a carreira como um produto, a forma de atuar como operação, as pessoas ao redor como coadjuvantes necessários e a forma de trabalhar como uma cultura. Precisamos trabalhar a carreira com esse modelo mental, tal como uma empresa.
Falar sobre carreira não é confortável. Nunca foi. Mas é esse tipo de desconforto que separa quem vai surfar a próxima onda de quem vai passar a vida inteira tentando entender por que tudo mudou tão rápido - sobretudo na forma de olhar a carreira como uma história bem envolvente para as próximas gerações.
Ps: se você tem aquela sensação de estar sempre em dívida com a carreira, vem cá e leia esse texto.
🧠 A gente sempre aprende algo com os outros, inclusive como não ser
Toda pessoa que passa pela nossa vida deixa um sentimento, uma impressão, um impacto. Já parou para pensar qual é a marca que você está deixando?
☕ O que você perguntaria se pudesse tomar um café com um CEO?
Entender como a cabeça dos grandes executivos funciona, ouvir a voz da experiência e explorar os seus pontos de vista pode der valioso na sua jornada!
🫡 Você respeita o tempo dos seus colegas de trabalho?
Não podemos normalizar o tal do “horário de trabalho infinito”. Produtividade e criatividade requerem descanso e desconexão, você não acha?
💧 Um projeto de dados: a nova taxonomia da Sabesp
Transformamos 20 mil linhas de dados em 4 classificações de informações e categorizações de ações judiciais. Agora, temos 12 macrotemas, 36 causas raiz, 178 causas de pedir e 553 pedidos.
Unimos time interno, prestadores de serviço de tecnologia e os escritórios externos para discutir a “solução definitiva” em matéria de tecnologia na esteira operacional do Jurídico. E tudo começa na atualização constante do sistema.
Falar da transformação e o futuro da nossa profissão é falar de Legal Operations. Não poderia deixar de mencionar o relatório 2026 State of the Industry, estudo desenvolvido pelo CLOC que deixa claro que esse futuro já chegou. Orçamentos mais estáveis na área apontam que o setor atingiu maturidade operacional, superando a fase de crescimento reativo e entrando em uma era de planejamento estratégico intencional.
Ao mesmo tempo, os dados revelam um aumento acelerado da demanda em áreas de alta intensidade operacional, como conformidade regulatória (crescimento de 63%) e segurança cibernética (58%). No entanto, os recursos e a capacidade não acompanham esse ritmo: 47% dos departamentos jurídicos entrevistados esperam aumentar os gastos internos e apenas 32% planejam ampliar o quadro de advogados, enquanto 37% preveem maior investimento em consultoria externa.
Esse descompasso gera um déficit estrutural de produtividade que não pode ser resolvido apenas com a contratação de mais pessoas ou o aumento de budget. Aqui, apontamos para o investimento em novas tecnologias ou na contratação de parceiros que possuem tais ferramentas.
Bem, frente a esse cenário, Legal Operations tornou-se a principal alavanca estratégica nas empresas. Em vez de reagir apenas com novas contratações, 80% dos departamentos jurídicos agora priorizam sua estratégia tecnológica e 72% concentram-se na gestão financeira de suas atividades. Essa mudança de foco indica que a função jurídica deixou de ser apenas uma área de apoio e passou a atuar como elemento essencial na resiliência do negócio.
Outro sinal de maturidade é a abordagem em relação à inteligência artificial (IA): 85% dos departamentos já implementaram uma supervisão formal do uso de IA, mostrando que a tecnologia deixou de ser tratada como mera novidade e passou a ser gerida com mecanismos robustos de governança para se tornar um grande amplificador de produtividade.
Em síntese, o relatório de 2026 comprova que Legal Operations evoluiu de uma função antes em busca de reconhecimento para agora liderar com confiança em nível empresarial, incentivando os profissionais a desafiar antigas suposições, otimizar parcerias e desenvolver uma função de operações jurídicas sólida e duradoura.
Quer mais dados e informações? Clique aqui e acesse o estudo na íntegra (disponível apenas para membros). Com isso… Vamos aos destaques dessa edição:
🔹 Liderança silenciosa ganha destaque: líderes que falam menos, ouvem mais e agem com intenção conquistam confiança e influência no ambiente profissional. Psychology Today relata que esses líderes tendem a dar mais autonomia às pessoas e a incentivar o compartilhamento de ideias sem dominar as discussões.
🔸 Compras autônomas por IA já estão em teste: os agentes de IA já estão comprando sozinhos nos testes do BB e da Visa. Imagina só… Basta você definir os parâmetros e pronto! Exemplo: “se a passagem para Brasília estiver menos de R$ 300,00 em 01/05, compre em até 2x no cartão de crédito.”
🔹 IA, privacidade de dados e os novos óculos: o novo assunto do momento é a Meta usar humanos para análise de imagens captadas pelo dispositivo com o objetivo de melhorar a IA. Isso você aceita nos Termos e Condições, mas… E os outros? Como garantir a privacidade das pessoas não usuárias dos óculos e não concordaram com os termos do produto?
🔸 Não é possível proteger arte gerada por IA: não nos EUA, pelo menos. Imagina pedir proteção de direitos autorais para proteger uma arte, sendo que a própria IA foi treinada e alimentada com conteúdos que violam esses próprios direitos?
🔹 Reino Unido proíbe anúncios de fast food: para combater a obesidade, qualquer anúncio televisivo fica proibido antes das 21h e, na internet, em qualquer horário. Quem lida com negócios regulados sabe que proibir nunca é a melhor opção. Enquanto Jurídico, como influenciar na autorregulamentação para evitar tais situações?
🔸 Cláusula contratual garante US$ 200 milhões para a OpenAI: a Anthropic quase fechou o deal para ser a IA do governo americano, mas recuou ao poder ser usada para guerras. Então, a OpenAI inseriu uma cláusula permitindo a tecnologia em armas contanto que um humano dê a palavra final antes de qualquer disparo.
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Pensou que eu não iria falar sobre o Report da Association of Corporation Counsel, a ACC? Todos os anos, são mais de 1000 Chief Legal Officers (CLOs) entrevistados em aproximadamente 43 países, demonstrando que a natureza do serviço de prover máxima segurança jurídica... Mudou. Alguns achados:
79% estão participando das reuniões do Board
74% estão provendo conselhos estratégicos de forma proativa (atuação por influência)
64% dizem que o Jurídico é o hub para uma moderna governança de riscos (ética, privacidade e segurança cibernética)
47% estão mudando o seu escopo para atender as expectativas do negócio, incluindo skills de IA e tecnologia
36% já estão executando projetos de IA
Gostaria de fazer um parêntese especial sobre IA: já não é raro times jurídicos implantando projetos de IA. E o mais legal é que isso não é visto como um substituto para o talento humano. De acordo com a pesquisa, 63% dos CLOs esperam que o headcount permaneça estável, focando, em vez disso, na evolução das funções existentes para atividades estratégicas de maior valor, impulsionadas pela eficiência proporcionada pela IA. Veja a pesquisa aqui.
Isso tudo só reforça para onde estamos caminhando: rumo à Era Agêntica. Em vez de usar IA para uma única tarefa, vai ser cada vez mais comum convivermos com plataformas que permitem desenvolvedores criarem agentes de IA autônomos que podem planejar tarefas, executar ações e interagir com sistemas de software. De acordo com a pesquisa, a IA não vem para substituir e sim para somar.
Não teremos mais advogados atualizando sistemas.
Não teremos mais o Jurídico interno fiscalizando se o escritório atualizou o processo.
Não teremos mais um ser humano monitorando o cumprimento de SLAs.
Isso tudo será automático, instintivo, nativo. Devemos pensar na construção de agentes como se fosse um desenvolvimento de uma capacidade de agir como um funcionário digital. E vou além! Essa discussão ficou mais frequente quando a OpenClaw começou a fazer sucesso se conectando a plataformas como WhatsApp/Telegram, automatizando, navegando na web, gerenciando arquivos e executando comandos. Ela opera localmente (dentro da sua firma) ou fora, em servidor. A OpenClaw não responde o chat… Ela executa.
Essa plataforma, portanto, representa a ascensão dos contrutores de agentes. A plataforma de construção ainda simplificou o desenvolvimento das soluções. Com ela, foi possível construir agentes complexos, com fluxos de trabalho completo e de forma mais simples. E aí, cada vez mais, o mundo corporativo explora ferramentas para realizar pesquisas, elaborar relatórios, fazer sugestões de melhoria, automatizar fluxos de trabalho e realizar tarefas repetitivas.
Isso nos provoca uma grande reflexão: quem construir o melhor ecossistema para agentes de IA - inclusive no Jurídico - pode conquistar a atenção plena do principal executivo e… O caminho do sucesso. De fato, a próxima geração de empresas de IA precisará ser human-centric por design. E mais uma vez… O Jurídico não foge à regra.
E como começar? Tools Law e Poder de Síntese apresentam:
Começar simples não significa necessariamente que será fácil. Mas começar de forma simples é a melhor maneira de começar. 🚀
Viu só? Tem muito trabalho pela frente para posicionarmos o Jurídico. Precisamos escolher a IA certa para cada atividade, criar prompts adequados para a rotina diária, construir agentes personalizados por tarefa... O que não falta é ideia!
Aqui só aparece quem dá conta do recado, é proativo e coloca o Jurídico como o protagonista de grandes realizações. Hoje, o papo é com o Luiz Felipe Tassitani.
Já são mais de 15 anos no setor jurídico, com passagens pelo time interno de multinacionais, escritórios e ajudando na solução dos mais variados problemas complexos. Na academia, além da formação jurídica, dois MBAs na conta: administração e em Seguros. Agora, vamos ver o case que ele compartilha conosco!
“Ao ouvir que tinha 6 meses para ajustar a casa, precisei superar a dúvida se daria conta e partir para a execução. O contexto era um Jurídico global e a empresa, a Braskem. Reuni a equipe e começamos a olhar para o processo. Redesenhamos tudo do zero. Logo as coisas começaram a mudar. Em 1 ano, lançamos o Robô de Pagamentos - uma automação que trouxe 57% de redução no SLA. Mas eu sabia que aquilo era só o começo. Empresas deste porte trazem novos desafios todos os dias.
Foi aí que tomamos uma decisão: escalar aos poucos, começando pelo básico bem feito. Parece óbvio, mas o resultado foi surpreendente e nos permitiu vários projetos. O Chatbot KEM, que responde consultas na hora. O Projeto de Automação e Ressarcimento de Seguros, que zerou prescrições e trouxe de volta R$ 1,7 milhão. O Projeto de Indenidades, que eliminou R$ 104 mil em custos com escritórios e cortou 75% do trabalho manual. Só no último biênio, cerca de R$ 7,2 milhões de impacto financeiro e 1.834 horas de trabalho economizadas.
Olha, essa jornada provou uma coisa: não existe fórmula mágica. Cada empresa tem sua bagunça, suas urgências, sua cultura. O que funcionou na Braskem pode não funcionar em outro lugar. Mas o que sempre funciona é ter olhar de dono, questionar as coisas e não ter medo de começar do zero quando precisa. Teve coisa que não deu certo? Claro. Teve reunião que terminou sem solução? Várias. Mas o poder de execução está justamente nisso: em continuar, ajustar a rota e entregar resultado mesmo quando o caminho não está claro. No fim, transformar um jurídico complexo exige tecnologia, sim - mas exige muito mais gente disposta a arregaçar as mangas e fazer acontecer.” – Luiz Felipe Tassitani
Inspiração, impacto e resultado. Poder de execução: a importância de ter na equipe e valorizar quem faz acontecer! Quer seu case aqui? Fala comigo ou clica aqui.
… Tools Law! Nos últimos seis meses, abrimos nossa caixa de ferramentas para apresentar ao mercado através aqui da PDS o ecossistema Tools Law. Começamos pela segurança, garantida pelas certificações ISO 27001 e ISO 27701, falamos dos agentes de IA, plataforma de dados e workflows para gerar eficiência com governança e rastreabilidade. Vale lembrar:
O TOOLS EIP é solução end-to-end de gestão jurídica: da captura antecipada nos tribunais e condução do fluxo por agentes de IA, passando pela gestão de stakeholders e visão operacional com Microsoft Power BI, até a finalização, que se transformam em dados para análises preditivas e treinamento das IAs.
E, para necessidades específicas, a Tools oferece soluções modulares como: resposta de Ofícios/PROCON, DJE, licitações, monitoramento de normativas (ex.: Banco Central), contratos e tradução jurídica, plataforma de indicadores com Power BI, além da Tool Box: IA generativa privada, sem internet e em ambiente não compartilhado, treinável por teses e temas do cliente.
🔰 Animou e quer falar com o time Tools? Vem cá agendar uma demonstração!
🔥 “Legal é Pop” é um espaço incentivado. Manda uma mensagem se quiser anunciar!
Ganhadoras da última edição:
1. Livro Jurídico 5.0 + ingresso C Law | Maria Emilia Esteves, Campo Grande/MS
2. Livro “Transformação Jurídica” | Amanda Evelin Rocha, São Paulo/SP
Neste mês, mais dois super livros na disputa:
Regras para participar: basta preencher esse forms (clique aqui); inscrever-se na newsletter “Poder de Síntese”, no Substack e aguardar o sorteio (~3ª sexta do mês).
* Sorteio da última edição realizado em 26/03 - ganhadoras já comunicadas!
🤩 Links e dicas úteis PDS
Priorize 360: iniciativa incrível da gigante Ana Carolina Tavares Torres, executiva jurídica de impacto que admiro e que agora está ajudando várias organizações na resolução de problemas contábeis complexos. Vale conhecer!
The News: fique + informado em 5 minutos. Notícias do Brasil e do mundo compartilhadas de uma forma como você nunca viu!
Legal & Business: minha coluna no JOTA sobre o Jurídico corporativo. Autores convidados publicam seus textos na 1ª quinta do mês sobre Legal Ops (CLOC Brasil Insights!) e, na 3ª quinta, sobre assuntos diversos (edição regular).
Tech Drop: novidades e acontecimentos jurídicos do mundo tech!
… Vem cá! 🏆
Prazer 🤝 Sou o Paulo Samico, um advogado carioca com + de 10 anos de experiência no Jurídico corporativo. Sou palestrante, LinkedIn Top Voice, maratonista e um grande defensor da valorização do profissional in-house como figura essencial para fomentar o ambiente de negócios na nossa sociedade. Meus valores? Espírito crítico e criativo, comportamento ético e responsabilidade social.
Se animar, conecta comigo no LinkedIn ou no Instagram. No botão abaixo, você também pode compartilhar a PDS com quem quiser! Vamos juntos?












Parabéns por trazer insights tão ricos e maduros sobre o planejamento de carreira. A analogia que você construiu é brilhante: enxergar a própria carreira como um 'produto' muda completamente o nosso nível de gestão e responsabilidade sobre ela. Adorei a forma como você conectou todas as pontas, colocando a nossa execução diária como a 'operação', os nossos valores como a nossa própria 'cultura' e, principalmente, reconhecendo que ninguém cresce sozinho: as pessoas ao nosso redor são os coadjuvantes essenciais e necessários para que todo esse ecossistema funcione. Conteúdo de altíssimo valor, obrigado por compartilhar!